Por Toninho Rodrigues.

TEATRO! Quando o Eliabe me convidou para escrever sobre Teatro, confesso que fiquei um tanto apreensivo. Verdade…! É que nunca me propus a falar sobre Teatro. Talvez por uma questão de timidez associada à falta de conhecimento mais profundo e teórico sobre o assunto. A minha vida no Teatro sempre foi pautada pela prática, e nunca por academicismos. Agora, por compreender que nessa minha estrada teatral adquiri experiências que podem e devem ser compartilhadas, é que aceitei com muita alegria o convite do amigo, e sempre que possível estarei dividindo com vocês idéias, propostas, caminhos para melhor desenvolvermos nosso trabalho. Quando falamos: Teatro! Uma imagem mental se projeta na cabeça das pessoas. Entendo, então, que esta coluna (pelo menos comigo!) deva servir às mais diversas manifestações sobre o fazer teatral: desde o espaço físico e técnico, ao espaço imaginário da criação e ficção literária; da mais simples exibição teatral a mais estupenda e arrepiante interpretação. E assim comecemos a nossa primeira reflexão: quando comecei a “trilhar os caminhos da arte de representar” – era assim que se falava naquela época (1972) – um dos professores que muito me ensinou sobre Interpretação no Teatro – o Professor Ibsen Wilde Dalla Déa, me fazia as seguintes perguntas, não só a mim, a todos os alunos do Curso de Interpretação: o que é Teatro? Por quê você quer fazer Teatro? Pra quem você quer dizer…? E tantas outras questões que a princípio era capaz de fazer com que aqueles meninos e meninas desistissem da idéia de representar. Que quero provocar aqui, nesse momento? – Uma relação entre o garoto, a garota que fazia teatro naquela época e os que fazem hoje. O que tinha em mente o jovem que iniciava sua história no Teatro naquele período, e o que pensa o adolescente que se inicia nas artes cênicas, hoje? Claro, em 1970, tinha-se a cabeça voltada para a ditadura. Tinha-se um inimigo em comum e todos se voltavam (nem todos!) para combater o mal que aterrorizava o Brasil. Não vamos aqui entrar na questão política, mas apenas evidenciar que o jovem daquele período ao se iniciar na arte de representar carregava consigo uma bagagem política que o fazia pensar sua arte como instrumento de luta, elemento primordial, que muito contribuiu para as transformações e mudanças necessárias para melhorar a vida de nossa gente. O nosso jovem aluno das artes cênicas, hoje, quando entra numa Oficina de Teatro, ou Escola de Teatro, pensa o quê? Que valores os levam para o exercício do fazer teatral? Para quem querem trabalhar, ou a quem ou o quê querem transformar… Se é que há alguma coisa hoje que deva ser transformada! Acredito que essas mudanças não se deram somente no Teatro, aconteceram na música, na literatura… Enfim, em tantos outros segmentos artísticos. Nosso momento histórico provocou um novo rumo para o fazer artístico. Hoje, temos o trabalhador da arte, e temos também aqueles que fazem arte para se divertirem, voltados simplesmente para o seu prazer, outros para provocar, muitos para se mostrarem, e tantos outros para outros tantos motivos. Bom, não quero aqui defender o teatro político, nem tão pouco menosprezar o teatro sem os objetivos que instigam os meus. Respeito todas as formas de manifestações teatrais que se apresentam e conquistam seus espaços, que chegam aos ouvidos e aos olhos dos mais variados públicos, despertando sensações e emoções que de alguma forma mexam com o pensar de nosso povo, trazendo à reflexão: a arte é necessária, e nos faz bem… Mesmo que seja para rirmos de nós mesmos! Será que traz…?

8 thoughts on ““Trilhando os Caminhos da Arte de Representar”

  1. parabéns Toninho!!! muito bacana propor essa reflexão. Acredito que é importante trazer sempre essa reflexão e nada melhor do que conhecer o teatro a partir das histórias de nossa gente. Mudanças ocorreram mais ainda temos um longo caminho a percorrer…
    muito bom.
    Zazá

  2. Acredito que a principal função do teatro é para elevar a humanidade. Um estudante de teatro de sucesso não é necessariamente aquele que se torna famoso ou rico, mas um artista que se conecta ao seu “EU” mais profundo, e à nossa humanidade compartilhada. Acredito que atores e artistas deve sempre continuar seus treinamentos e experimentos e ir se adaptando em face a um mundo em crise de valores. Nós que estamos nesse ofício, temos entre tantas outras coisas uma responsabilidade de criar ambientes saudáveis para a elevação do ator como representante do mundo, pois penso que nós atores temos que prezar por uma consciência social, fator que contribui para nossa capacidade de agir com paixão. Adoro as frases que nos faz pensar e impulsionar a ação, filosofar sim, agir sempre. Adoraria que todos os atores que criam outras vidas sejam no palco ou nas telas, percebessem que “Atuar, não é uma profissão de competição com outros atores, mas sim uma vocação de compartilhar com outros seres humanos.”

    “Acima de tudo, o teatro existe para o ator, sem o qual não pode absolutamente existir”
    Konstantin Stanislavsky

  3. Oi, Zé! Grande, Zazá!!
    Você tá falando aí em longo caminho, e bota longo nisso…
    Esse momento que vive hoje a Cidade de Oz em relação às Artes
    que o diga! Há quanto tempo discutimos um Conselho de Cultura para Oz?
    Outras necessidades virão, e outros longos caminhos surgirão…
    Mas, juntos e organizados, podemos encurtar esses caminhos, e transformá-los
    em trilhas… rsrsrs Beijão, Zé!

  4. Teatro é magia… é amor… é sonho… é emoção… é poesia.
    A arte de representar existe dentro de cada um de nós, no entanto, são poucos que têm a coragem de subir ao palco e mostrar com ousadia aquilo que sentem, atuando com paixão e fazendo realmente um show acontecer.
    Você realiza isso com maestria porque ama verdadeiramente aquilo que faz.
    Quero parabenizá-lo por sempre conseguir plantar em nossa mente a reflexão e em nosso coração tantas sensações.

  5. Suas primeiras palavras traduzem na essência o fazer teatral: a representação da própria vida.
    Uma das grandes coisas que me faz ver a vida como privilégio é a magia que lhe é inerente… É a possibilidade do amor impossível, gostar daquilo que fazemos… De recusar o que não queremos… Desbundar os pensamentos e deixar fluir o belo… Muitas vezes feio, mas belo! Que importa? Carregado de emoção… Se arrepiar, e sentir a poesia que nos envolve a cada instante… A cada dia de luta, de prazer, de alegrias e tristezas, mas acima de tudo de paixão, em que avançamos para o grande show…. Obrigado, linda!.

  6. Caro Toninho,

    Vivemos, não só na cidade de Osasco, mas no mundo todo, um momento de reorganização intelectual e, por conseginte, de reformulação de paradígmas e dogmas culturais ou não. Tal postura se deve aos questionamentos sobre os direcionamentos propostos pelo século XX que super valorizou o capital e desprezou a essência humana. Este novo modo de pensar nos apontam para, num primeiro momento, tolerância com as diferenças,
    Seu texto é, antes, uma reflexão sobre a cultura e as importantes transformações promovidas no decorrer do final do século passado, em que a arte, como em todo transcorrer da história, tem significativo papel na conscientização de questões que envolvam os humanos que se aglomeram em sociedades ambasadas em direcionamentos duvidosos.
    Estamos vivendo um novo momento histório, mas a arte se alinha com este momento se colocando no lugar que pode e deve ocupar.
    Espero sinceramente que este momento especial e significativo que o movimento cultural de Osasco esta passando se alinhe com questões que estrapolem os limites do municipio para se tornar um movimento expresssivo na arte e não só municipal.
    Parabéns pelo texto.

    Ricardo Barbosa

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