Por Toninho Rodriges

 TEATRO: O importante é que estamos prontos pra mambembar!  

Um número considerável de grupos teatrais atua em Osasco e região com espetáculos voltados exclusivamente para a classe estudantil. Além das companhias de Osasco, vem as de São Paulo, Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo, e outros municípios, e apresentam textos adaptados da Literatura Brasileira – Dom Casmurro – de Machado de Assis, O Cortiço – de Aluísio de Azevedo, entre tantos outros. Quero aqui registrar que também atuo no mercado estudantil – com o show Poesificante – roteiro poético musical dirigido a estudantes do segundo grau, portanto me incluo diretamente na discussão que proponho.

O que leva as companhias, algumas de bons atores, direção segura, produção bem cuidada, a se interessarem por adaptações (muitas vezes péssimas!), de autores consagrados da Literatura Brasileira? Será a garantia do ingresso fechado, através de uma venda casada com aval dos professores, com a desculpa de facilitar o estudo sobre o texto – tema de matéria de vestibular em sala de aula? Será ainda, a facilidade que se tem nas montagens destes clássicos, que normalmente são apresentados sem cenários, com apenas alguns adereços para permitirem a compreensão mínima da obra literária?

 “O importante é que estamos prontos pra mambembar!”

E o que dizer dos infantis, que seguem o mesmo rumo? São geralmente adaptações de contos de fadas… Adaptações que levam um número considerável de público ao teatro nos finais de semana, e garante a venda de espetáculos em pátios de escolas nos períodos de aulas, com apresentações em espaços na sua grande maioria inadequados ao trabalho artístico, e que privam o espectador infantil, e adulto, de absorver o resultado da obra apresentada. O que faz com que esses grupos atuem nessas condições? E não são poucos os trabalhos que percorrem escolas e teatros da região, visto que cada companhia carrega consigo um repertório razoável de espetáculos teatrais dirigidos à criança (estudante).

Posso dizer que todos os espetáculos são bons? Que todos os espaços não oferecem condições para a realização de ótimos espetáculos teatrais? Claro que não! Mas não é o meu objetivo ser crítico deste ou daquele espetáculo, deste teatro ou daquele espaço de apresentações artísticas. Quero apenas provocar uma reflexão que nos leve a buscar caminhos para apresentação também de espetáculos voltados para um público não só estudantil, e sim de trabalhadores: donas de casa, bancários, comerciários, professores, doutores… E seus filhos! Enfim, de cidadãos, e de todo o nosso povo.

Buscar novos autores e novos textos implicará em não ter retorno financeiro para a subsistência do grupo? Acredito que sim. Nos moldes em que nos apresentamos por aí, vale dizer que é bem difícil atrair público para os espetáculos. Mas, sempre foi assim, nunca foi diferente. Por que não renovamos nossos métodos de trabalho e luta?

Ah… A Educação não mudou, a Cultura não mudou, o Esporte não mudou, o Meio Ambiente não mudou… Claro que mudou… Entendi! As ações de nossos governantes não mudaram nada nas últimas décadas… Então, é preciso mudar. E só com a nossa ação, organizada e muito bem amparada em Lei, poderemos mudar e transformar politicamente esses mecanismos que permitem uma atuação séria e comprometida de nossos artistas, ocupados com a transformação de nossa gente. E nesse sentido, Osasco sai bem à frente, com ações como a do Prefeito Emídio de Souza, que acata as propostas dos artistas para um Conselho Municipal de Política Cultural, de caráter deliberativo, com maioria da Sociedade Civil, e que Valério Bemfica – representante do Ministério da Cultura, aponta como um projeto ousado e corajoso.

A verdade, é que se inicia um novo tempo para as artes em Osasco, e o nosso teatro não pode ficar esperando que um “Godotzinho” venha nos ajudar a encontrar o caminho das pedras… Há uma nova história para contar, (e que não seja um conto de fadas!) e podemos contá-la num capítulo muito rico e num tempo bem próximo, com muito mais entusiasmo e força, com um resultado que tire o homem de teatro desse estado de pedinte em que se encontra nos dias de hoje, e que tire de suas casas e escolas o homem que precisa da arte, tão necessária para complementar suas ações humanas.

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3 thoughts on “Prontos pra mambembar!

  1. Sábias palavras a do companheiro Toninho Rodrigues, realmente Osasco vive hoje um novo tempo que ouso comparar à Renascença, historicamente o momento onde a luz invade telas, palcos e textos. O chamamento que Toninho faz é de uma importância cabal pois, neste novo tempo, não há mais espaço para a inércia, para aqueles que aguardam que alguém, patrocinador público ou privado, venha lhe tomar pelos braços conduzindo ao sucesso, financeiro e de público. Este novo tempo exige e convoca artistas que tenham a ousadia e a coragem de serem protagonistas de sua própria história. A arte está à porta, pronta para invadir a festa, assumamos então nossas marcações no grande palco de nossa cidade e que as cortinas se abram. Senhoras e senhores, o espetáculo não pode parar.

  2. “Na complexidade da montanha
    entre sus espesas ramas, entre os ramos grossos
    el rey se esconde. o rei está escondendo. ¡Seguidle! Segui-lo!
    No quede en sus cumbres planta Não fique em alturas sua planta
    que no examine el cuidado, não examinar o cuidado,
    tronco a tronco, y rama a rama. tronco para tronco e galho em galho.”

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