Isso assusta os Artistas de OZ? A rua é o começo?

Por Toninho Rodrigues

fotos 757.JPGBanda NaguetaArte no CalçadãoFotos de Eliabe Vicente mais fotos


A Cidade de Osasco já teve teatro na rua. “Um homem chamado Jesus” – produção do Núcleo Expressão ocupou as ruas com espaço cênico definido por cenografia própria, nos anos 70.  Também poesias dramatizadas, interpretadas, foram apresentadas na rua. Espetáculos teatrais retratando a cultura popular foram levados à periferia sem espaço cênico formal… Mas com cenografia específica. Teve também arrastão de platéia para o teatro entre quatro paredes, a partir das ruas. Auto de Natal, nas esquinas… E outras tantas ações artísticas que se desenvolveram fora do teatro convencional.

Ah… Mas não me lembro de espetáculos teatrais de rua… A não ser representados por grupos ou companhias de outras cidades. E me pergunto: por que os autores, os produtores, os atores…  Enfim, os artistas de Oz… Não se interessam pelo Teatro de Rua? A não ser por iniciativas sérias mais ainda tímidas que acontecem vez ou outra… Um Checchia… Um Rivero… Um Newton Véio…

Faltam textos? Faltam roteiros?…  Idéias, eu sei que não faltam! Faltam monumentos que sirvam de cenografia?! Faltam praças? Falta calçadão?  Faltam ruas? Ponte é que não falta! Hum?!

Claro que o trabalho de rua exige muito mais do ator, de sua expressão vocal, um envolvimento maior com as artes circenses, e contribui e muito o conhecimento corporal de cada um – movimentos de dança, o que amplia e facilita a interatividade com a platéia e engrandece a ocupação cênica que ora envolve quem assiste, ora é envolvida por ela, sem uma marcação convencional, e sim, improvisada, criativa, e evolutiva.

 Isto assusta nossos artistas?

A verdade é que a Arte Pública, para muita gente que pensa Teatro como meio de ganhar dinheiro, um meio de exercer uma profissão que proporcione um gordo salário mensal passa bem longe das expectativas artísticas. Acredito ainda, que a falta de Escola específica para o fazer teatral de rua (pelo menos não conheço, nunca ouvi falar!), talvez faça com que nossos jovens se afugentem dessa arte.

A falta de fomento às atividades artísticas e culturais tem desanimado aqueles que ainda acreditam que a arte deve ser pública, e ganhar as ruas, as praças, fazer brilhar os olhos, e abrir os ouvidos principalmente do povo simples, que por falta de acesso às mais diversas manifestações culturais, quando dão de encontro com os artistas de rua, logo abrem um sorriso largo e acelera o peito por um momento único e prazeroso que a arte e a cultura lhe proporciona.

A visão, o exercício político de quem não está pronto pra ir à rua fazer arte, também inibe aqueles que preferem o aconchego do teatro convencional, afinal não é nada fácil atuar como provocadores das ações políticas e sócio-culturais, em prol do desenvolvimento de nossa gente.

O fato, é que há uma série de questões a serem respondidas. E a sensação de vazio não pode permanecer angustiando nossas ações políticas e artísticas.  E o que pode provocar uma boa reação nesse momento é levar aos cantos da cidade a discussão, e estimular as ações culturais de rua – a reorganização da Arte Pública. Mesmo que se inicie na rua!

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2 thoughts on “A reorganização da Arte Pública.

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