Cena Comentada | Chovendo na Roseira

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Eliabe Vicente

Chovendo na Roseira é baseado em um cotidiano familiar moderno e provoca uma reflexão sobre o resgate das brincadeiras lúdicas e do brincar contemporâneo, que por sua vez, priorizam as brincadeiras que se utilizam das tecnologias.

Com roteiro, direção cênica e direção musical de Fernanda Maia, a peça retrata um dia na família composta pelo pai, pela mãe, a filha e uma empregada doméstica.

No enredo, é de manhã, a família acorda, a criança está de férias. Os pais precisam sair para trabalhar deixando a filha em casa com a empregada. Está chovendo e a criança está entediada, resolve então explorar o seu próprio jardim.

De repente, surgem os seres que moram nele: um sapo, um pássaro e uma cigarra, e a partir daí, desse relacionamento com esses seres encantado vivos e cheios de magias, que toda a história toma corpo.

O espetáculo conta com quatro atores em cena acompanhados por mais três músicos que executam a trilha e a sonoplastia ao vivo no palco. No geral, ambos, atores e músicos funcionam em perfeita sintonia cênico-musical e levam a garotada ao delírio com as viagens imaginárias propostas pela peça.

Os atores cantam, dançam e interpretam com uma veia cômica muito aflorada, todos com excelentes níveis de interpretação, afinação e desenvoltura no palco, neste ultimo quesito, sobra um pouco mais para o ator Vitor Bassi que cativa o público com intervenções cômico-corporais, e executa movimentos engraçados, embora dentro da batida rítmica proposta, principalmente no desafio cênico no duelo que remetem aos repentistas nordestinos.

O espetáculo emociona o público de todas as idades por que a peça consegue extrair de uma forma poética a essência rítmica, imagética e cênica das músicas, que em sua maioria são conhecidos clássicos da MPB.

Músicas como ‘Águas de março’, que é um dos momentos mágicos da peça, consegue ser superada apenas pela música ‘Azul’, de Djavan, que encerra o espetáculo e que ganham movimentos, imagens e uma roupagem especial que ajudam na compreensão da própria letra da canção. Outras canções como ‘Correnteza’, ‘Água’, ‘Passaredo’, ‘Estrada de Canindé’, ‘Estrada do Sol’, ‘Cigarra’ e ‘Cantiga do Sapo’ são mostradas na peça.

Chovendo na Roseira é recomendado para ser apreciado junto com a família e mostra-se favorável para uma integração de gerações, onde o mais velho pode apresentar em casa para os mais novos, as canções clássicas da MPB em suas versões originais para serem lembradas das canções executadas de forma lúdica na peça.

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