Entrevista Culturaoz | Adriano Veríssimo

Nome: Adriano Veríssimo
Idade: 26 anos
Signo: Libra
Nascimento: 05/10/85 em Osasco, SP
Profissão: Ator
Atividade artística: atuação, canto, direção, roteiro/dramaturgia e produção.

“Eu sou um homem sonhador, que sempre tenho os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Sou um figura exótica, talvez impositiva aparentemente, porém com um coração e uma ansiedade de vida enorme. Um ser incognitivo que fácil se decifra com a convivência –  e aedamente dizendo: um poeta que está aprendendo a escrever um verso de nome: dia-a-dia”.

Amor é definição de tudo o que nos move. arte é meu oxigênio. Família é referência de quem sou e de onde vim. Amigo um dos aconchegos de Deus em matéria. Fama um estado momentâneo.

Por Eliabe Vicente

Adriano Veríssimo é dono de uma voz potente. Poderia se quisesse ser até locutor de rádio FM. Escolheu ser ator e trabalhar com Arte.
Não é uma escolha fácil, até por que, para contextualizar, Adriano morava em um bairro distante do centro da cidade, na periferia de Osasco, quando decidiu ser ator. Eu tive a oportunidade de conhecer o Adriano, quando ele era ainda pequeno, com 9 para 10 anos de idade. Hoje, ele figura nos comerciais de TV, jornais e revista, e recentemente fez uma campanha publicitária, como ator (fotografia) para o Jornal Estadão.
Adriano Veríssimo é uma daquelas pessoas que você pode passar um tempão sem vê-lo e quando você encontra-lo novamente, vai perceber que ele continua sendo o mesmo ser humano fantástico, dono daquele sorriso que é sinônimo de “está tudo bem”.
 
Veríssimo tem desenvolvido diversas atividades artísticas com muito afinco e, ultimamente se dedica ao canto e a produção; entretanto, os seus trabalhos como ator, diretor e dramaturgo, em sua opinião, são as atividades  que lhe trouxeram formas diferentes de seu olhar para arte…  “…Essas atividades… com certeza me ajudaram a crescer profissionalmente…”.

Como, quando e onde começou o seu envolvimento com a arte?

Quem pode dizer melhor como começou é minha mãe, ela conta que desde de muito pequeno eu repetia as falas que via nas novelas e interpretava…(risos)..Eu comecei de verdade com a arte na minha vida, por escolha, com um curso de artes plásticas oferecido pela prefeitura no meu bairro. Me apaixonei pelas artes plásticas, com 08 anos participava de uma primeira exposição com os outros alunos da escola e vendi meu primeiro quadro. Inquieto, como ainda sou, procurei e encontrei um curso de teatro, que era ministrado no Centro de Vivências perto da minha casa pelo meu primeiro professor e mestre: Ignacio Gurgel – menti minha idade – não façam isso! (risos). Eu tinha 09 anos e disse que tinha 13 [idade minima para inclusão no curso]…Bom, de lá, atuei com a Cia Art & Improviso e com o Grupo ATEEN [dirigido por Eliabe Vicente], grupos esses que foram frutos dessa oficina ministrada por Ignacio. Pronto, aos 11 anos estava plantado em mim a semente das duas mascaras, das cores, das notas, da tv…enfim…

O que te motivou?

 
Eu, sinceramente, eu não sei o que me motivou, acho que eu sempre quis, admirava mesmo sem ter ido uma unica vez ao teatro…(tempo)…puxa pensei nisso agora, vi a minha primeira peça de teatro já fazendo uma. Creio nas motivações de vidas passadas, pois bem, posso dizer que talvez a motivação veio daí.

Por que escolheu essa arte?

Eu não escolhi a arte num todo, ela que me elegeu. O palco me acolheu com um passe livre para que eu pisasse nele (com cuidado, é claro!). Acho eu, que nunca saberei responder sobre essa escolha, eu já tinha determinado isso pra mim antes mesmo de saber o que era “escolha”…(risos)

Hoje, qual é a sua maior motivação?

“Um mundo melhor”. Clichê dizer isso, no entanto eu acredito e quando deixar de acreditar num país melhor pela arte, eu não verei mais sentido de fazer tudo o que faço. Daí vem a minha força em fazer o que tenho feito e buscado aprender e a lidar com o universo infantil, pelo qual tenho trabalhado aferro com a minha Cia nestes últimos 03 anos. A cada detalhe na produção dos espetáculos, os temas abordados, as musicas, tudo é reflexo de coisas que não tive e acredito sim, que o ser humano pode ser mudado através da arte e não só como executor dela, mas como um apreciador. Afinal, educação e arte, são irmãs, uma pena que ainda insistem em separá-las.

Se considerar que sua carreira é de sucesso, pode apontar algum segredo?

 A partir do momento que eu aponte a minha carreira como de sucesso, eu provavelmente perderei os meus valores. Se o que fiz ontem foi sucesso, hoje é trabalho e amanhã expectativa, pois então, considero minha trajetória ao invés de sucesso, uma carreira de muito trabalho e quero poder continuar trabalhando com o que mais amo e/ou que sei fazer de melhor, por este, o sucesso está nos outros, em mim está a superação dos desafios e assim vai.

Onde você quer chegar?

Quero olhar para trás daqui alguns anos e me sentir feliz e satisfeito pelo que deixei, pelo que fiz com o que Deus me pôs as mãos. Seja com o teatro, com a musica, com a tv, o cinema, tudo o que fiz até hoje só me deu um gostinho de quero mais e assim que seja por mais décadas e décadas de minha vida.

Você traça metas e objetivos ou deixa que as coisas vão acontecendo naturalmente?

Eu nunca consegui viver sem meus sonhos, como disse anteriormente, sou um sonhador e isso me trás inúmeros objetivos (que bom!). Não gosto da idéia de andar pela estrada sem o objetivo de qual paisagem quero ver, de qual destino chegar. Como uma grande amiga diz sempe: ´”A vida é pra quem se atreve” e eu me atrevo sempre, pois o problema maior não é não chegar e sim deixar de caminhar. Há alguns anos fiz um espetáculo do Carlos Alberto Soffredini, chamado “Minha Nossa” e a poesia final eu guardei e levo comigo sempre, que diz: “Põe um pouco de mel no teu sorriso, assim como se morde a polpa de uma fruta. Sai um dia caminhando pela estrada, como quem não quer chegar, só caminhar, se tiver um rio, se jogue dentro dele como se a vida fosse feita de água fresca e se a vida doer dentro de ti, deixe que rebente.”


Ser o que você é hoje, era esse seu sonho de infância? 

Meu sonho de infância era menor (eu acho), queria ser ator e hoje não só sou ator como faço inumeras coisas que amo  em relação a arte.

Das experiência que teve, poderia relatar uma em que considera ser a mais marcante?

Puxa, nestes anos eu agradeço a Deus por tantos momentos. Com a minha Cia (Cia Metrópole de Teatro) ultimamente tive inumeras experiências, inumeras mesmo. Já apresentamos para crianças marginalizadas pela própria história familiar, escolas rurais junto a animais, ongs, orfanatos e por aí vai. Citarei duas experiências. Uma foi na primeira apresentação em 2010 que fizemos para crianças especiais; cheguei na escola apreensivo, respirando fundo, na expectativa de como seria; cenário montado, som ajustado, personagens prontos e lá vem eles, a maioria em cadeiras de rodas, falantes e comunicativos, um deles ja me chamou e queria ver a Julinha Relógio, que ele já conhecia dos livros e, eu um ser troncho e limitado, não sabia como agir, mas tentei ser o mais natural possível; pronto, começou o espetáculo e eles de olhos vibrantes vendo a tudo, rindo, batendo palmas…e eu? Ah, chorando! Tentando disfarçar, mas não conseguia conter tamanha emoção – era um misto de impossibilidade com de função cumprida.
A outra experiencia, exatamente igual, só que pela primeira vez estavamos num asilo, apresentando uma peça infantil para aqueles senhores e senhoras de longas histórias, de faces marcadas…eu, um cabeludo, que as vezes acha que já viveu muito e eles? Não deu outra, eram crianças, muitas dessas crianças, esquecidas pelos filhos…Eles que escreveram histórias, ali ouviam uma história que escrevi e se divertiam, riam…Não aguentando a emoção, fui ao banheiro e desabei, não era tristeza, era saber que o que Deus colocou nas minhas mãos para cumprir estava acontecendo e assim eu quero que continue…
 

O que viveria de novo?

Tudo o que fiz foi muito bom, até o que não pareceu ser, me fez o artista que sou hoje. Por isso viveria tudo novamente, cada aflição, cada botão pregado, cada lágrima escorrida…Eu viveria tudo!

O que você já vez e que não faria de novo, com relação a arte.

 Algumas vezes eu só subi ao palco e nestas vezes eu nada fiz, era apenas uma matéria viva somente e isso eu não faria de novo. Hoje é: ser, estar e fazer no palco, se não for assim, eu prefiro ficar pelas coxias.

O que diria para alguém que está começando a carreira na arte?

É uma carreira vaidosa e muitos amam os aplausos. É uma das poucas profissões de aplausos ao final, mas o aplauso maior está no que você faz. E se for possível, busque outras coisas, outras profissões e se você não se sentir vivo sem a arte, volte e aí sim “aconteça”.



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