Culturaoz Entrevista | Filipe Macedo

Por Eliabe Vicente

O Culturaoz inicia uma série de entrevistas com personalidades do mundo das artes.  Acompanhe o blog e mantenha-se informado para conhecer um pouco mais de cada um dos nossos convidados. Temos certeza que você vai se surpreender.

Nosso entrevistado é um jovem muito talentoso e tranquilo. Se você encontra-lo na rua, verá que seu sorriso esconde muito mais as expressões de cada músculo. Se você assisti-lo em uma encenação teatral, verá que o seu brilho é intenso e que seus personagens são fruto de muito estudo e dedicação, como não poderia ser diferente nessa profissão, que muitos adotam até como religião.

Nessa entrevista, vamos saber um pouco mais de Filipe Macedo, 25 anos, do signo de ares, nascido em Osasco no dia 25 de março de 1987. É Ator, Diretor e Educador de Artes.

 “Eu sou um menino passarinho. Menino, porque sou um jovem na labuta teatral, que admiro os maiores, tento aprender e compartilhar tudo com eles, de maneira sincera e carinhosa. Passarinho porque pulo de galho em galho, observando atentamente as pessoas, suas dores, alegrias e amores, para quem sabe ter uma palavra de conforto, um ensinamento ou uma experiência a compartilhar com sua arte, tentando transformar as coisas com um cuidado especial.”

Entre seus principais trabalhos, podemos destacar o trabalho de Direção feito na Companhia de Investigação Teatral Minha Nossa!, com o espetáculo “Na Carrêra do Divino”, de Carlos Alberto Soffredini e o Curta Teatral “O Bando”; e em “Como Nasceram as estrelas?” com a Cia Metrópole de Teatro, direção de Adriano Veríssimo.

Além do trabalho de ator e de direção, Filipe desenvolve com excelência trabalhos na área social como Educador nos projetos Casa de Cultura e Cidadania, Centro de Desenvolvimento Comunitário da ACM e CEU Feitiço da Vila – São Paulo.

Culturaoz: Filipe, nos conta como tudo começou? quando percebeu que queria ser artísta? 

Filipe Macedo: Foi no quintal da minha casa com a minha irmã. Usávamos frasco de desodorante como nosso microfone. Reproduzíamos as canções que ouvíamos nas rádios e gostávamos de cantar para a nossa platéia imaginária. A dança veio depois, mas foi logo repreendida por eu ser homem e a dança ser “coisa de mulher” o que não importou muito depois de um tempo. O contato com o teatro pedagógico e clássico em sua forma de ensino se deu aos 12 anos de idade, em uma oportunidade que eu tive de participar de um Curso Livre, onde foi formada uma companhia. Atuei durante cinco anos nessa Cia, dali a primeira oportunidade profissional de trabalho em um espetáculo infantil, o que me projetou para o ensino superior em Artes Cênicas, onde a formação efetiva se deu e a profissionalização com direito ao registro aconteceu abrindo portas e o meu olhar para o mercado de trabalho.

Culturaoz: O que te motivou?

Filipe Macedo: O sonho de criança de tentar mudar a qualidade de vida da minha família.

 Culturaoz: Por que escolheu essa arte?

Filipe Macedo: Porque era muito desafinado e tinha uma voz feia para cantar, o que me levou a mudar de linguagem, me sobrou atuar, que com o tempo se encaixou muito bem naquele sonho de menino

 Culturaoz: Hoje, qual é a sua maior motivação?

Filipe Macedo: As crianças e as mazelas do mundo.

 Culturaoz: Se considerar que sua carreira é de sucesso, pode apontar algum segredo?

Filipe Macedo: Não considerar um sucesso a nossa carreira (apesar de toda dificuldade) seria um crime contra nós mesmos. O meu sucesso profissional se deu pelo esforço, cuidado e carinho no trato com as pessoas.

 Culturaoz: Onde você quer chegar?

Filipe Macedo: O artista sempre vai querer chegar a algum lugar maior, e o lugar que eu quero chegar um dia é no coração de todas as pessoas, de todas as idades de todos os lugares do mundo.

Culturaoz: Você traça metas e objetivos ou deixa que as coisas vão acontecendo naturalmente?

Filipe Macedo: Sim, diariamente para ter controle do tempo e conquistar espaços.

 Culturaoz: Esse era seu sonho de infância, ser o que você é hoje?

Filipe Macedo: Quase, achei que poderia ganhar mais doces! Me frustrei um pouco quando adolescente me arrisquei cantar e descobri ser péssimo com isso, então, fui para o teatro e me encontrei como artista, experimentando outras possibilidades além da música.

 Culturaoz: Das experiências que teve, poderia relatar uma em que considera ser a mais marcante?

Filipe Macedo: São tantas… Uma das mais presentes (talvez por ser atual) foi em uma apresentação em Recife do espetáculo infantil que participo. Chegamos à escola e fomos logo recebidos pelas crianças e gestores do local. Elas (as crianças) estavam eufóricas aguardando a montagem do cenário e um menino me chamou muito a atenção por estar sempre fazendo piada das nossas roupas e acessórios, pensei comigo: “ih … Será rock’n’roll a apresentação aqui…” As crianças estavam inquietas demais. Fomos nos preparar, eu 50 kg mais gordo (com o figurino de pingüim no calor do nordeste brasileiro), com pancake branco resistindo as gotículas de suor, dançando e brincando com muito carinho para eles. Durante o espetáculo, esse menino, levantou a mão e pediu para dançar hip hop no palco improvisado para a apresentação. O pingüim autorizou, ele veio correndo e deu um show nos passos da dança!

A apresentação foi muito diferente do que eu tinha imaginado, eles receberam muito bem o espetáculo e se comportaram melhor do que outras platéias, em outros estados com mais expectativas, o curioso foi, que quando saímos e aquele menino viu quem era quem (atores x personagens) fez um comentário com a minha companheira de trabalho, ele disse: “Você é a Julinha” ela cansada e sem muita paciência respondeu que naquele momento ela era a atriz, que a Julinha já tinha ido embora, ele meio decepcionado saiu, a diretora ao nos agradecer, comentou que ficou impressionada com o trabalho, pois eles nunca receberam tão bem um grupo de teatro, e que uma das crianças mais “problemáticas” que ela tinha, se destacou no comportamento. Era esse mesmo menino travesso do início, pois ela nos disse que mãe dele tinha mandado traficantes da região o matarem, e ele se refugiou na escola, onde agora morava provisoriamente (…) Nos olhamos, e eu senti o quanto foi importante aquele momento para ele, o carinho que tivemos poderia salva-lo do mundo que ele foi jogado.

 Culturaoz: O que viveria de novo?

 Filipe Macedo: Tudo.

 Culturaoz: Com relação a arte, o que você já vez e que não faria de novo?

Filipe Macedo: Julgar precipitadamente o público.

 Culturaoz: O que diria para alguém que está começando a carreira na arte?

Filipe Macedo: Tenham cuidado e respeito com as pessoas, sempre analisem se gostariam de ver o que vão oferecer em cena, não façam arte para os artistas, façam arte para quem vive no mundo trabalhando para que as coisas aconteçam, pessoas simples, brasileiros que merecem e devem ter acesso a cultura de qualidade, e por favor, se afastem do que puder fazer mal, pessoas, drogas, álcool, tudo isso pode diminuir o artista em você.

 “O caminho mais curto que existe no mundo é aquele entre você e Deus, na arte, todos temos que ser delicados, Deus é delicado, seja também um pouco Deus com as pessoas, o carinho ainda pode salvar o mundo” – Filipe Macedo.

Para Filipe Macedo:  A arte é um remédioO Amor é o essencialA Família é o alicerceO Amigo é o carinho de Deus com a genteA Fama é ilusão.

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